Os números que você pode citar, com editor, amostra e data
O Brasil tem uma fonte oficial recente sobre o uso de IA generativa: a pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br. Ela mede a população conectada, não candidatos ao ensino superior, mas é o melhor ponto de partida nacional que conseguimos abrir. Os demais números são estrangeiros e estão identificados como tal. Nenhum vem da Skolbot.
Nota de método: não havia ferramenta paga de volume de busca disponível. O tema foi delimitado com pesquisas públicas e fontes primárias.
| Número | Fonte | Escopo e data |
|---|---|---|
| 32% dos usuários de internet no Brasil usam IA generativa (cerca de 50 milhões de pessoas) | Cetic.br | TIC Domicílios 2025, 27.177 domicílios e 24.535 indivíduos, março a agosto de 2025 |
| 59% dos usuários com ensino superior usam IA, contra 17% dos com ensino fundamental | Cetic.br, mesma pesquisa | Mesma amostra |
| 95% dos estudantes usam IA de alguma forma | HEPI e Kortext | 1.054 universitários, Reino Unido, dezembro de 2025 |
| 46% dos alunos do ensino médio dos EUA usam IA para buscar faculdades | EAB | Mais de 5.000 alunos, outubro-novembro de 2025 |
| 43% começam pelo site da instituição; 13% por um chatbot | UCAS, via Wonkhe | 4.485 respondentes, Reino Unido, novembro de 2025 |
Brasil: um terço dos internautas usa IA, com grande desigualdade
Segundo o Cetic.br, a TIC Domicílios 2025, divulgada em 9 de dezembro de 2025, foi a primeira a medir o uso de IA generativa: 32% dos usuários de internet de 10 anos ou mais, cerca de 50 milhões de pessoas. Os dados foram coletados de março a agosto de 2025, em 27.177 domicílios e com 24.535 indivíduos.
A desigualdade é grande. Entre usuários com ensino superior, 59% usam IA; entre os que têm só o ensino fundamental, 17%. O Cetic.br também mostra um recorte por renda, com uso muito maior nas classes de maior poder aquisitivo.
Para a captação, isso importa em duas frentes. Os candidatos que já estão no ensino superior ou chegam a ele usam IA em proporção bem maior do que a média. E o canal digital não alcança todos os candidatos da mesma forma: uma instituição com público de menor renda deve manter canais de atendimento humano e por WhatsApp.
Como comparação externa, a pesquisa HEPI de 2026 mostra 95% de uso entre universitários britânicos. São estudantes já matriculados em outro país, não candidatos brasileiros.
A busca por faculdade: sinais dos EUA e do Reino Unido
Não encontramos pesquisa brasileira verificável sobre o uso de IA na escolha de curso. Dois estudos estrangeiros dão direção, nada mais.
A EAB ouviu mais de 5.000 alunos do ensino médio dos EUA no outono de 2025: 46% usam IA na busca por faculdades, contra 26% na primavera de 2025, e 18% descartaram uma instituição por informações vindas de uma busca com IA.
O estudo da UCAS, apresentado pela Wonkhe, ouviu 4.485 pessoas: 43% começam pelo site da instituição e 13% por um chatbot. 48% retirariam uma universidade da lista após um dia aberto ruim, e 8% após uma avaliação negativa gerada por IA.
O caminho brasileiro é outro. O ENEM e o SISU organizam o acesso a vagas públicas, o ProUni e o FIES dão acesso a bolsas e financiamento, e o vestibular próprio ainda existe em muitas instituições. As perguntas que o candidato faz a um assistente costumam girar em torno de nota de corte, mensalidade, bolsa, reconhecimento do curso pelo MEC e nota no Enade. Essas respostas devem estar no seu site.
Instituições: sem dados brasileiros para citar
O único número institucional que conseguimos verificar trata das regras para candidatos. A Kaplan (comunicado de 3 de novembro de 2025) consultou, no verão de 2025, responsáveis de admissão de universidades seletivas dos EUA: 2% permitem IA para redigir o ensaio, 30% proíbem e 68% não têm política.
No Brasil, a redação do ENEM e a nota de corte pesam mais do que um ensaio de admissão, então o número se transfere mal. Não achamos dados verificáveis sobre o uso de IA em áreas de admissão brasileiras e não citamos nenhum.
Marco legal: LGPD, ANPD e MEC
A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) se aplica ao tratamento de dados de candidatos, sob fiscalização da ANPD. A LGPD prevê o direito de pedir revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado, razão adicional para manter uma pessoa em qualquer decisão de admissão. Com candidatos menores de idade, a informação e o consentimento precisam ser claros.
O Código de Defesa do Consumidor e os órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, cobrem informações sobre mensalidade, bolsas e duração do curso. O MEC credencia instituições e autoriza cursos, e o INEP conduz a avaliação.
O regulamento europeu de IA classifica no anexo III como de alto risco os sistemas que determinam o acesso ou a admissão em instituições de ensino, com aplicação a partir de 2 de dezembro de 2027 segundo a Comissão Europeia. Não obriga instituições brasileiras diretamente. Há discussão no país sobre uma lei de IA, que não acompanhamos aqui; consulte seu jurídico para o estado atual.
O que esses números não demonstram
Não demonstram que um chatbot aumenta as matrículas: nenhuma fonte mede conversão. Não são comparáveis entre si, porque populações, países e perguntas diferem. E o dado do Cetic.br descreve internautas em geral, não candidatos a cursos de graduação.
Para referências publicadas de conversão, veja nosso artigo sobre benchmarks de taxa de conversão de sites de universidades.
Como verificar uma estatística de IA antes de citar
Faça quatro perguntas. Quem fez a pesquisa e quem pagou? Qual o tamanho da amostra e quem ela representa? Quando foi a coleta? O que exatamente foi perguntado? Muitos números sobre jovens brasileiros circulam sem link para o relatório original; se você não consegue abri-lo, não o publique.
O que uma equipe de admissões pode fazer
- Faça das páginas de cada curso a melhor resposta ao que o candidato já pergunta a uma IA: nota de corte, mensalidade, ProUni, FIES, reconhecimento MEC, modalidade.
- Defina uma política sobre IA em inscrições e redações.
- Mantenha uma pessoa em toda decisão de admissão.
- Meça seus próprios dados: perguntas frequentes, tempo de resposta, visitas agendadas, e revise a base legal de cada tratamento.
Para aprofundar: nosso guia de agentes de IA para recrutamento estudantil, a definição de agente de IA de admissões e o guia do chatbot de IA.



