Esta lista reúne as 30 perguntas que um agente de IA deve saber tratar no site de uma escola de ensino superior em Portugal, organizadas em seis temas. O princípio é constante: responder com o conteúdo que a própria escola publicou, recolher o contexto do candidato e passar a uma pessoa tudo o que exige discernimento.
Serve primeiro para desenhar o agente e depois como guião de testes. Quando uma pergunta fica sem resposta, o problema está quase sempre numa página em falta no site, e não no agente.
Para uma visão de conjunto, leia o guia de recrutamento com chatbot de IA e o artigo sobre agentes de IA no recrutamento de estudantes.
A. Cursos e condições de acesso
A fonte de verdade são as fichas de curso e a página de candidaturas da escola.
1. Que licenciatura ou mestrado me convém? O agente compara os cursos publicados, incluindo licenciaturas, mestrados e cursos técnicos superiores profissionais, e pergunta pelos interesses antes de sugerir. Encaminha para a ficha certa sem prometer adequação.
2. Posso candidatar-me com o meu perfil? Ensino secundário com exames nacionais, cursos profissionais, titulares de outro curso superior, candidatos por regimes especiais de acesso. O agente explica as vias que a escola admite e passa os casos duvidosos à equipa.
3. Como me candidato e quais são os passos? Descreve o processo tal como consta do site: candidatura, documentos, eventual entrevista ou prova, seriação, matrícula e inscrição. Se existirem várias vias, pergunta qual se aplica.
4. Quais são os prazos e as fases de candidatura? Indica as fases e datas publicadas e a data da última atualização. Se faltar uma data, o agente diz que não a tem e oferece avisar a equipa.
5. Como funciona a seriação e quais são as notas de ingresso? Nas instituições que integram o concurso nacional de acesso, a DGES é a fonte oficial das regras e das colocações. O agente remete para aí e para o regulamento da escola, sem estimar notas nem hipóteses de entrada.
B. Propinas e financiamento
O preço pesa muito na decisão. O agente só cita valores que constem das páginas oficiais da escola, com o ano letivo a que dizem respeito.
6. Quanto custam as propinas? Indica o valor do curso concreto e a data da publicação. Se o site não detalha o montante, recolhe o curso e encaminha o pedido.
7. Que bolsas e apoios existem? Distingue as bolsas de ação social do ensino superior, os apoios da própria escola e os de entidades externas. Informa os requisitos publicados e remete para o regulamento oficial.
8. Posso pagar em prestações? Explica o plano de pagamentos em vigor: reserva de vaga, matrícula e prestações mensais ou por semestre. Qualquer condição especial passa a uma pessoa.
9. Posso trabalhar enquanto estudo? O agente esclarece que regimes existem (diurno, pós-laboral, a tempo parcial, a distância) e como o plano de estudos organiza a presença.
10. Há outros custos? Taxas administrativas, certidões, material, seguro escolar, deslocações a estágios. Se o site não os lista, é um sinal para os publicar antes do arranque.
C. Reconhecimento e saídas profissionais
Neste bloco, o agente fica no que é verificável e não compara com outras escolas.
11. O curso está acreditado e o grau é reconhecido? Responde com a informação oficial: curso acreditado pela A3ES e registado pela tutela, ou formação que não confere grau. A distinção tem de ficar clara.
12. Que saídas profissionais tem? Remete para os dados de empregabilidade que a escola publica, com data e âmbito. Sem dados publicados, descreve perfis profissionais e evita prometer resultados.
13. Há estágio e protocolos com empresas? Explica a regra do plano de estudos sobre estágio curricular, a sua obrigatoriedade e o processo de colocação, sem acrescentar empresas que o site não refira.
14. Posso fazer mobilidade internacional? Apresenta os programas de mobilidade e os acordos publicados, como o Erasmus+, com os requisitos de língua e de aproveitamento. As vagas concretas confirmam-se com o gabinete de relações internacionais.
15. Que lugar ocupa a escola nos rankings? O agente cita apenas classificações que a escola publica, com fonte e ano. Não improvisa comparações.
D. Campus e vida prática
Perguntas de organização, que se resolvem com um bom site e um calendário atualizado.
16. Existe residência ou apoio para encontrar alojamento? Informa sobre residências próprias ou protocoladas e serviços de alojamento publicados. A disponibilidade real fica com a equipa.
17. Onde fica a escola e como lá chego? Morada, transportes públicos, estacionamento e mapa. É das perguntas mais simples e das que mais convém responder logo.
18. Como marco uma visita ou um dia aberto? Propõe as datas publicadas, recolhe o nome e o curso de interesse e confirma a marcação com a equipa de admissões.
19. Qual é o horário e o regime: presencial, híbrido ou a distância? Responde com a ficha do curso: turnos, dias de aulas e proporção de atividades online.
20. Como é a vida académica e que serviços de apoio há? Associações de estudantes, desporto, tutoria, apoio psicológico e serviços de inclusão, sempre segundo o que está publicado.
E. Candidatos internacionais e documentação
Este bloco mistura perguntas que o agente resolve com outras que exigem autenticação ou uma pessoa.
21. Preciso de visto ou autorização de residência? O agente explica que depende da nacionalidade e da duração e remete para as fontes oficiais e para a carta de admissão. Não presta aconselhamento sobre imigração.
22. Que nível de língua é exigido? Português, inglês ou outras línguas de ensino, com as certificações aceites e os níveis publicados.
23. Como é reconhecido o meu diploma estrangeiro? Distingue o reconhecimento de grau, o reconhecimento de nível e a equivalência, liga ao procedimento oficial e passa o processo à pessoa responsável.
24. Que documentos tenho de apresentar? Lista por perfil: documento de identificação, certificado de habilitações, certificado de língua, carta de motivação. O agente não avalia ficheiros carregados.
25. Em que ponto está a minha candidatura? Exige identificação. Sem acesso autenticado à plataforma de candidaturas, o agente recolhe o contacto e passa o pedido a uma pessoa.
F. Perguntas que vão sempre para uma pessoa
O agente reconhece estes casos, responde com cuidado e entrega a conversa com contexto. Nunca decide em nome da escola.
26. Situações especiais: deficiência, ano de pausa ou ano chumbado. As adaptações e exceções são decididas pela equipa. O agente indica o serviço competente e passa um resumo com o curso e o calendário pretendido.
27. Dificuldades económicas ou pedido de redução do valor. Não negoceia nem promete descontos. Entrega a uma pessoa o curso, o motivo indicado e a urgência, sem pedir comprovativos de rendimentos.
28. Reclamações, recursos e decisões de não admissão. Reconhece a queixa, explica o procedimento publicado e encaminha para o responsável. Menciona também o livro de reclamações, quando aplicável.
29. Bem-estar, segurança ou emergência. Perante risco para a pessoa, o agente mostra o número de emergência 112 e o contacto de apoio da escola, e deixa o tom comercial.
30. Direitos sobre dados pessoais e dados sensíveis. Pedidos de acesso, retificação ou apagamento seguem para o encarregado de proteção de dados da escola. O agente indica o canal e não pede dados de saúde nem de outras categorias especiais.
Quadro de encaminhamento
| Tema | Responde sozinho | Responde e recolhe contexto | Passa a uma pessoa |
|---|---|---|---|
| A. Cursos e acesso | Cursos, passos e prazos publicados | Perfil, via de acesso e interesses | Vias de acesso duvidosas |
| B. Propinas | Valores e bolsas publicados | Curso e situação geral | Negociação ou apoios especiais |
| C. Reconhecimento | Estatuto do curso e dados publicados | Interesse em estágio ou mobilidade | Casos de reconhecimento |
| D. Campus | Localização, horários, serviços | Marcação de visita | Alojamento concreto |
| E. Internacional | Documentos e línguas | País e habilitações anteriores | Estado da candidatura, vistos |
| F. Casos sensíveis | Informação geral mínima | Resumo da situação | Sempre |
Transparência e proteção de dados em Portugal
Um agente conversacional deve identificar-se como sistema de IA. O artigo 50.º do regulamento europeu de inteligência artificial exige que as pessoas sejam informadas de que interagem com um sistema de IA, como se vê no texto do artigo 50 e no Regulamento (UE) 2024/1689 no EUR-Lex.
Os dados dos candidatos regem-se pelo RGPD e pela Lei n.º 58/2019, e a autoridade de controlo é a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD). O agente deve ligar à política de privacidade, pedir apenas os dados necessários e respeitar o alojamento na UE.
Como testar o agente antes do arranque
Transforme as 30 perguntas num guião de testes e peça à equipa de admissões que o execute.
- Escreva cada pergunta de três maneiras, incluindo uma com erros ou abreviaturas.
- Compare cada resposta com a página do site de onde deveria vir. Se não coincidir, corrija a página ou a fonte.
- Verifique o comportamento quando não há informação: deve admiti-lo e oferecer contacto, nunca inventar.
- Teste cada passagem a uma pessoa e confirme que chegam o resumo, o curso e o meio de contacto preferido.
- Todos os meses, analise as perguntas sem resposta e decida se falta conteúdo ou se o agente precisa de ajuste.
O exercício revela também contradições entre páginas. Para hierarquizar conteúdos, apoie-se no artigo sobre as perguntas dos candidatos antes da inscrição e na comparação entre chatbot de IA e agente humano.



