Como escolher: os mesmos oito critérios para todos os fornecedores e um piloto de 30 dias
O método mais fiável é pontuar cada fornecedor com a mesma grelha, testar as respostas com o conteúdo real da sua instituição e confirmar a escolha com um piloto de 30 dias. As apresentações comerciais parecem-se todas; o que as distingue é o comportamento do agente perante perguntas reais dos candidatos.
Esta grelha destina-se à equipa de admissões, ao marketing e ao encarregado de proteção de dados de uma instituição de ensino superior em Portugal. Não apresenta preços nem resultados esperados, porque cada instituição deve medir os seus. Se ainda está a definir o âmbito, comece pelo guia sobre chatbots IA para o recrutamento estudantil.
Critério 1: respostas assentes no conteúdo da instituição
O agente deve responder apenas com o que a instituição publicou, indicar a origem da informação e reconhecer quando não a tem. É o critério mais importante: um erro sobre prazos, propinas ou condições de acesso penaliza o candidato e, depois, a instituição.
Peça ao fornecedor que o demonstre com o seu site, não com um site de exemplo. Faça três testes:
- Uma pergunta cuja resposta consta do site: cita a fonte e está correta?
- Uma pergunta cuja resposta não consta: admite que não sabe ou inventa?
- Uma pergunta em que duas páginas se contradizem: como reage?
Um agente que nunca diz «não sei» é um sinal de alerta.
Critério 2: qualificação e passagem para uma pessoa
O agente deve fazer as perguntas que um gestor de admissões faria nos primeiros minutos e passar a conversa a uma pessoa, com o contexto completo, quando for adequado. Não decide quem é admitido nem substitui a equipa: organiza a informação e liberta tempo para entrevistas.
Verifique quem define os critérios de qualificação (a instituição, não o fornecedor), em que casos há passagem (pedido do candidato, pergunta fora do conteúdo, bolsas, situações pessoais) e o que recebe o gestor. Peça para ver uma ficha real: curso de interesse, situação académica, dúvidas e passo seguinte.
Critério 3: CRM e calendário de dias abertos
Um agente só é útil se o que recolhe chegar às ferramentas da equipa. Peça ao fornecedor que demonstre, num ambiente de teste, como se cria um registo no CRM que utiliza e como se marca um dia aberto ou uma entrevista num calendário real.
Não aceite uma lista de logótipos como prova. Pergunte que campos são escritos, o que acontece se o CRM não responder, como se evitam duplicados e quem vê os dados. O que não se consegue mostrar ao vivo deve ser tratado como inexistente.
Critério 4: idiomas, horário e canais
O agente deve atender a qualquer hora e nos idiomas dos seus candidatos, com a mesma qualidade. Muitos contactos chegam à noite ou de famílias e estudantes internacionais, incluindo da lusofonia.
Teste as mesmas perguntas em português, inglês e noutras línguas relevantes para o seu público. O site é o ponto de partida; o WhatsApp pode ser um módulo opcional se os candidatos já escrevem por aí. Um canal adicional só vale a pena se partilhar o mesmo conteúdo de referência e a mesma passagem a pessoas.
Critério 5: proteção de dados, alojamento e transparência
Exija por escrito onde ficam os dados, quem lhes acede e que não são usados para treinar modelos com a informação da sua instituição. Estas respostas devem constar do contrato, não apenas da proposta.
Aplica-se o RGPD, com a Lei n.º 58/2019 como lei de execução, sob supervisão da CNPD. O texto do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados é a referência para a base de licitude e a informação ao candidato. O Regulamento europeu de IA exige transparência: quem conversa com um sistema de IA deve sabê-lo. Peça para ver como o agente se identifica e como informa sobre o tratamento de dados antes de os recolher. Havendo candidatos menores, consulte o seu encarregado de proteção de dados.
Critério 6: análise e revisão das conversas
Deve poder ler as conversas, ver as perguntas sem resposta e corrigir o conteúdo de referência. Sem revisão, o agente degrada-se em silêncio quando mudam propinas, datas ou planos de estudo.
Peça para ver o painel real: conversas, perguntas sem resposta, passagens a pessoas e marcações. Pergunte como se exportam os dados e quem os pode consultar na instituição.
Critério 7: piloto e custo total transparente
Um fornecedor sério aceita um piloto delimitado e explica de que se compõe o custo total: licença, arranque, canais adicionais, volume de conversas e suporte. Aqui não há valores; o que deve exigir é um orçamento claro e completo.
Pergunte o que é cobrado à parte, o que acontece se o volume crescer e qual a duração do compromisso. Se só conhecer o preço depois de assinar, está a decidir sem informação.
Critério 8: dependência do fornecedor e portabilidade
Antes de assinar, esclareça como sairia do serviço: que dados pode recuperar, em que formato e em que prazo, e o que acontece às conversas e aos conteúdos configurados. A portabilidade negocia-se no início.
O contrato deve indicar a quem pertencem o conteúdo de referência e as conversas, e prever a eliminação dos dados no fim.
Tabela de pontuação com pesos sugeridos
Pontue cada critério de 0 a 3 após a demonstração e multiplique pelo peso. Os pesos são uma sugestão inicial e devem refletir as prioridades da sua instituição.
| Critério | Peso sugerido | O que o fornecedor deve demonstrar |
|---|---|---|
| 1. Respostas assentes no seu conteúdo | 20 | Cita a fonte e admite quando não sabe |
| 2. Qualificação e passagem a pessoas | 15 | Ficha completa e critérios definidos por si |
| 3. CRM e calendário | 15 | Registo e marcação criados ao vivo |
| 4. Idiomas, horário e canais | 10 | Mesma qualidade em cada idioma e canal |
| 5. Dados, alojamento e transparência | 15 | Respostas escritas, sem treino com os seus dados |
| 6. Análise das conversas | 10 | Painel real com perguntas sem resposta |
| 7. Piloto e custo total | 8 | Piloto delimitado e orçamento completo |
| 8. Portabilidade | 7 | Exportação de dados e saída acordada |
Os pesos somam 100. Um fornecedor com zero em proteção de dados ou em respostas assentes no conteúdo deve ser excluído, seja qual for a pontuação total.
Sinais de alerta na demonstração
Desconfie do fornecedor que evita testar com o seu site, não explica onde ficam os dados ou apresenta o agente como algo que decide sozinho. Os mais claros:
- Respostas seguras sobre propinas ou prazos que não constam do seu site.
- Ausência de fontes ou de forma de verificar a origem de uma resposta.
- Integrações «disponíveis» que não podem ser mostradas ao vivo.
- Contrato sem cláusula de exportação e eliminação de dados.
- Pressão para assinar antes de qualquer teste.
Piloto de 30 dias: protocolo e perguntas de teste
Limite o piloto a um ou dois cursos, fixe os critérios antes de começar e reveja as conversas todas as semanas. No final, pontue com a tabela e decida com dados próprios.
- Semana 1: carregue o conteúdo dos cursos e confirme que está atualizado.
- Semana 2: lance a bateria de perguntas de teste e registe as falhas.
- Semana 3: abra o agente a um grupo reduzido e leia as conversas.
- Semana 4: reveja passagens, marcações e registos no CRM e pontue.
Perguntas de teste, a comparar com o que o seu site publica:
- «Que nota de ingresso preciso para entrar neste curso?» (não deve inventar notas).
- «Posso candidatar-me pelo concurso especial para maiores de 23?» (só o que a instituição publica).
- «Quanto são as propinas e há bolsas?» (apenas valores oficiais).
- «O curso está acreditado pela A3ES?» (apenas o que consta do site).
- «Posso marcar uma visita ao campus no sábado?» (marcação real).
- «Estou a falar com uma pessoa?» (resposta honesta).
Contexto português: acesso, acreditação e o que o agente não deve afirmar
Os candidatos perguntam pelo Concurso Nacional de Acesso, gerido pela DGES, pelas notas de ingresso, pelas propinas e pela validade dos cursos, e comparam politécnicos, universidades públicas e privadas. A acreditação dos cursos compete à A3ES.
O agente deve limitar-se ao que a instituição publica sobre os seus cursos e encaminhar o resto. Para fixar estes limites em contrato, apoie-se no caderno de encargos de um chatbot para o ensino superior.
Onde se encaixa o Skolbot nesta grelha
O Skolbot Chat é um chatbot para o site da instituição que responde a partir do conteúdo da própria escola, qualifica o candidato, marca dias abertos ou entrevistas e envia a ficha para o CRM. Existe um módulo opcional de WhatsApp. Aplique-lhe a mesma grelha que a qualquer fornecedor.
Para comparar abordagens, consulte o comparativo de chatbots IA para o ensino superior e o comparativo de agentes IA de recrutamento.


